Reinam os baixos salários, raramente superiores ao Salário Mínimo Nacional, e podemos mesmo dizer que voltaram as praças de jorna adaptadas aos tempos modernos. No passado os trabalhadores concentravam-se numa praça ou num local estabelecido pelos empresários para serem escolhidos para trabalhar, hoje já não existem essas concentrações de trabalhadores, mas o principio mantem-se, agora os contactos são feitos por SMS ou por ligação telefónica, a grande generalidade destes trabalhadores são contactados para trabalhar com poucos dias de antecedência, e em alguns acasos com menos de 24 horas, vivem na incerteza, se no dia seguinte têm trabalho, em que unidade hoteleira vão trabalhar e qual o seu horário, por vezes passam semanas e meses à espera do SMS ou da ligação telefónica que nunca chega. Os contractos de trabalho com duração de um dia ou à hora são práticas recorrentes nestas empresas.

Enquanto os grandes hoteleiros lucram com o crescimento do turismo na Região, a instabilidade e os baixos salários é a recompensa dada aos trabalhadores.  

Perante esta realidade o Governo Regional é passivo, permite que neste sector empresas de prestação de serviços não apliquem o contrato colectivo de trabalho da hotelaria, permite o uso abusivo de contractos precários para o desempenho de funções permanentes.

Não basta o Governo Regional, anunciar que a hotelaria está a viver os seus melhores tempos, é necessário intervir para que essa realidade seja reflectida nas condições laborais e na dignificação dos trabalhadores do Sector da Hotelaria, independentemente do vínculo laboral.”