Partido Comunista Português (PCP) realizou hoje uma ação de contacto com trabalhadores e a população em geral junto ao Anadia Shopping, no Funchal, com o objetivo de denunciar o aumento brutal dos lucros das empresas do setor da distribuição, assente na especulação de preços, na precariedade laboral e nos baixos salários dos trabalhadores.
Durante a iniciativa, Ricardo Lume, membro do Comité Central do PCP, alertou que, só no ano de 2025, os lucros do grupo Jerónimo Martins aumentaram 7,9%, atingindo 646 milhões de euros. Estes resultados, sublinhou, foram alcançados à custa da especulação de preços que em 2026 continuam a atingir novos recordes e da intensificação da exploração dos trabalhadores, através de baixos salários, precariedade laboral e desregulação dos horários de trabalho.
Perante esta realidade, o PCP considera que o caminho deveria passar pelo reforço de uma legislação laboral mais favorável a quem trabalha. No entanto, denuncia que o Governo da República insiste em avançar com um pacote laboral que representa um claro agravamento da precariedade e dos baixos salários, constituindo uma verdadeira declaração de guerra aos trabalhadores.
O dirigente comunista destacou ainda que os trabalhadores já manifestaram de forma inequívoca a rejeição a este pacote laboral, posição assumida pelas principais centrais sindicais e até por algumas associações patronais.
Para o PCP, face às dificuldades sentidas pela maioria da população, o Governo e os partidos que o apoiam optam por agravar os problemas em vez de lhes dar resposta. “O ataque aos direitos é uma resposta aos interesses do grande patronato, visando aumentar a exploração e a concentração da riqueza, à custa da degradação das condições de vida dos trabalhadores”, afirmou Ricardo Lume.
Na sua intervenção, destacou também que é possível combater a especulação de preços, à semelhança do que acontece noutros países europeus. O PCP defende a necessidade de regular os preços dos combustíveis, do gás, da eletricidade e dos bens alimentares, bem como os spreads e comissões bancárias. Defende igualmente o aumento dos salários e das pensões e a rejeição do pacote laboral, que pretende facilitar despedimentos sem justa causa, generalizar a precariedade, desregular horários e impor mais horas de trabalho sem a devida compensação.
O PCP apela aos trabalhadores, às populações, aos jovens, aos democratas e patriotas para que se mobilizem contra esta política, em defesa dos seus direitos e da melhoria das condições de vida. Apela ainda à participação massiva na Jornada de Luta convocada pela União dos Sindicatos da Madeira para o próximo dia 17 de abril, pelas 15h30, junto à Assembleia Regional, sob o lema: “Abaixo o pacote laboral! Aumentar salários, garantir direitos, é possível uma vida melhor.”
